Desenvolver
novas formas de aprendizado é um dos resultados que a convergência digital
trouxe para os novos modelos de educaçãoA capacidade de aprender é
essencial em tempos de transformação. Isso é válido desde a época em que a
sociedade evoluiu para a atividade agropastoril, deixando a incerteza da coleta
e da caça como únicas possibilidades de alimentação.
As tribos que mais
rapidamente dominaram as técnicas envolvidas com a agricultura e a domesticação
de animais foram as que avançaram com maior sucesso. Em tempos de transição de
um modelo de sociedade para outro, aprender mais e mais rapidamente é o único
caminho possível para não ser dominado ou substituído por alguém com melhor
capacidade de aprendizagem.
Isso vale para indivíduos e organizações,
sejam elas órgãos governamentais, empresas ou instituições sem fins de lucro. No
caso das empresas, vários empreendedores estão descobrindo, não sem sofrimento,
que a perda da competitividade pode acontecer muito rapidamente, seja pela
introdução de novas tecnologias, seja pelo surgimento de novos players no
mercado, com maior competência em processos ou na gestão da marca. Investir na
aprendizagem organizacional é a melhor forma de encarar esses tempos de mudanças
abruptas.
O problema que os departamentos de Recursos Humanos enfrentam
hoje é que as demandas por aprendizagem se aprofundaram e foram aceleradas num
nível inédito. Os programas tradicionais de treinamento e capacitação já não são
suficientes, especialmente os que se baseiam no modelo anterior de difusão do
conhecimento: hierarquizado, centralizado e dissociado do cotidiano dos
colaboradores.
A chamada web 2.0 chega num tempo sem precedentes, em que
a informação é criada e difundida em volume e velocidade antes inimagináveis,
ultrapassando fronteiras geográficas e culturais antes
intransponíveis.
Essa avalanche informacional exige que as pessoas
aprendam novas maneiras de se comunicar, de acessar informações e desenvolvam
padrões de raciocínio. O novo livro de Don Tapscott (A hora da geração digital,
Editora Agir Negócios, 2010) demonstra quão radical é a transformação trazida
pela convergência digital, em todos os âmbitos da sociedade.
A Educação
a Distância (EAD) entra nesse bojo como uma das mais adequadas formas de se
promover a aprendizagem hoje em dia. A
EAD está ainda em seus primórdios, em
termos de metodologias e tecnologias. No entanto, pode colaborar com construção
de contextos que valorizem a criatividade e promovam a inovação.
Na
prática, é irreal planejar um programa empresarial de capacitação atualmente sem
incluir a EAD e, como parte fundamental dessa estratégia, a adoção da filosofia
e dos recursos da web 2.0 como caminhos para a aprendizagem organizacional. Fica
mais complexo, porque o conteúdo torna-se menos importante que a relação humana.
E bons relacionamentos se constroem com base na confiança mútua, integridade,
abordagem participativa e colaboração.
A EAD tem alguns fundamentos para
ser bem-sucedida, a saber:
- Flexibilidade de tempo, ou seja, posso me dedicar a aprender quando quero.
- Flexibilidade de espaço, que eu possa me dedicar a aprender onde achar
melhor.
- Flexibilidade de ritmo, poder escolher o que aprender e no momento em que
considerar mais adequado.
- Personalização, ter alguém (não uma máquina ou software) com quem me
relacionar sobre os assuntos que desejo aprender.
- Acesso, ter disponível o conteúdo necessário, adequadamente indicado,
filtrado e priorizado.
- Administrar o pêndulo entre flexibilidade e rigidez, personalização e
massificação, acesso e segredo é o que demonstra a competência da gestão que
adota a EAD focada na aprendizagem organizacional.
Uma nova cultura de aprendizagem está rapidamente se estabelecendo. Isso
afeta as empresas, na medida em que se tornar um ambiente propício à
aprendizagem organizacional, é fundamental para a competitividade e
perenidade.
Cultivar a imaginação, a criatividade e a transparência tem como princípio
acreditar que a liberdade deve ser priorizada. Portanto, se a EAD é o caminho da
Educação Corporativa, a web 2.0 incorpora a filosofia e as ferramentas
necessárias para o pleno desenvolvimento de programas eficazes de
capacitação.
Adotar esses novos rumos pede uma visão empresarial que entenda as pessoas
como cerne, princípio e finalidade de tudo que se faz.
Luciano Sathler (É membro do Comitê de Qualidade da
ABED - Associação Brasileira de Educação a Distância)
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